sábado, 14 de maio de 2011

Um conto de fadas


Maria Emilia Voss, uma peregrina de Santiago, conta a seguinte história:

Por volta do ano 250 a.C., na China antiga, um certo príncipe da região de Thing-Zda estava às vésperas de ser coroado imperador; antes, porém, de acordo com a lei, ele deveria se casar.
Como se tratava de escolher a futura imperatriz, o príncipe precisava encontrar uma moça em quem pudesse confiar cegamente. Aconselhado por um sábio, ele resolveu convocar todas as jovens da região, para encontrar aquela que fosse a mais digna. M
Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos para a audiência, sentiu uma grande tristeza - pois sua filha alimentava um amor secreto pelo príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao ouvir que ela também pretendia comparecer
A senhora ficou desesperada:
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes apenas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta ideia insensata da cabeça! Eu sei que você deve estar sofrendo, mas não transforme o sofrimento em uma loucura!
E a filha respondeu:
- Querida mãe, não estou sofrendo e muito menos fiquei louca; sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz – mesmo sabendo que meu destino é outro.
À noite, quando a jovem chegou ao palácio, lá estavam efetivamente todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, as mais belas jóias, e dispostas a lutar de qualquer jeito pela oportunidade que lhes era oferecida.
Cercado de sua corte, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei para cada uma de vocês uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a flor mais linda, será a futura imperatriz da China.


A moça pegou a sua semente, plantou-a num vaso, e como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava terra com muita paciência e ternura - pois pensava que, se a beleza das flores surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.


Passaram-se três meses e nada brotou. A jovem tentou um pouco de tudo, falou com lavradores e camponeses – que ensinaram os mais variados métodos de cultivo – mas não conseguiu nenhum deu resultado. A cada dia sentia-se mais longe o seu sonho, embora o seu amor continuasse tão vivo como antes.
Por fim, os seis meses se esgotaram, e nada nasceu em seu vaso. Mesmo sabendo que nada tinha para mostrar, estava consciente de seu esforço e dedicação durante todo aquele tempo, de modo que comunicou a sua mãe que retornaria ao palácio, na data e hora combinadas. Secretamente, sabia que este seria seu último encontro com o bem-amado, e não pretendia perde-lo por nada neste mundo.
Chegou o dia da nova audiência. A moça apareceu com seu vaso sem planta, e viu que todas as outras pretendentes tinham conseguido bons resultados: cada uma tinha uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.
Finalmente vem o momento esperado: o príncipe entra e observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, ele anuncia o resultado - e indica a filha de sua serva como sua nova esposa.
Todos os presentes começam a reclamar, dizendo que ele escolheu justamente aquela que não tinha conseguido cultivar nenhuma planta.
Foi então que, calmamente, o príncipe esclareceu a razão do seu desafio:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade. Todas as sementes que entreguei eram estéreis, e não podiam nascer de jeito nenhum.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Do mercado

O filósofo Sócrates, que provocou uma verdadeira revolução no pensamento humano (e por causa disto acabou condenado à morte), era sempre visto passeando pelo mercado principal da cidade.

Certo dia, um dos seus discípulos perguntou:

“Mestre, aprendemos com o senhor que todo sábio leva uma vida simples. O senhor não tem nem mesmo um par de sapatos?”.

“Correto”, respondeu Sócrates.

O discípulo continuou: “entretanto, todos os dias o vemos no mercado principal, admirando as mercadorias. Será que podíamos juntar dinheiro para que possa comprar algo?”

“Tenho tudo que desejo”, respondeu Sócrates. “Mas adoro ir ao mercado, para descobrir que continuo completamente feliz sem aquele amontoado de coisas!”

terça-feira, 10 de maio de 2011

Santo Agostinho e a lógica

Deus fala conosco através de sinais. É uma linguagem individual, que requer fé e disciplina para ser totalmente absorvida.
Santo Agostinho foi convertido desta maneira. Durante anos procurou, em várias correntes filosóficas, uma resposta para o sentido da vida. Certa tarde, no jardim de sua casa em Milão, refletia sobre o fracasso de toda a sua busca. Neste momento, escutou uma criança na rua, cantando: “Pega e lê! Pega e lê!”
Apesar de sempre ter sido governado pela lógica, resolveu - num impulso - abrir o primeiro livro ao seu alcance. Era a Bíblia, e ele leu um trecho de São Paulo - com as respostas que procurava.
A partir daí, a lógica de Agostinho abriu espaço para que a fé também pudesse participar, e ele se transformou num dos maiores teólogos da Igreja.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Domine a vaidade


Quero hoje falar sobre ilusão, pois é impressionante como ela compromete, em vários setores e aspectos, a vida e a felicidade das pessoas. Eu já havia falado que ilusão é o uso negativo da fantasia. E que toda desilusão é fruto da ilusão. Ou seja, o indivíduo idealiza modelos e determinadas situações e, quando se depara com a realidade, entra em crise. Todo mundo costuma dizer que a realidade é cruel, mas na verdade é a ilusão que machuca.

A ilusão mais popular, mais comum, é a vaidade. A pessoa que é vaidosa precisa da aprovação dos outros. Aliás, ela espera tudo a que tem direito: reconhecimento, valorização, respeito, admiração, amor. Como não consegue, finge e incorpora um personagem que nada tem a ver com a sua maneira de ser. Sua reputação está em jogo, ela não pode ser malfalada. Ao contrário, precisa ser aplaudida. E veja bem: todo mundo é vaidoso! "Eu 'tenho que'... para os outros me..." Isso é terrível! A gente faz um tipo para obter das pessoas o que quer. Sinceridade, nem pensar! "Imagine, se eu for natural, sincero, o outro pode me rejeitar e dar o contrário do que eu quero."

Mas, por que as pessoas são vaidosas? Por que elas se submetem a esse tipo de situação? Pode observar: o que todo vaidoso faz é buscar alguma coisa para se realizar, para se sentir bem. Geralmente, o que ele procura é exatamente aquilo que não teve durante a trajetória da sua vida. Respeito, por exemplo.
Dessa forma, ele vai fazer um gênero qualquer para obter o tão almejado respeito. Ou seja, ele se esconde atrás de um personagem e toda a sua espontaneidade vai por água abaixo. No fundo, ele faz isso para se proteger, mas acaba se sufocando, se sentindo pequeno e ficando totalmente dependente do outro.

Na prática, ele até consegue enganar as pessoas e, como no exemplo anterior, pode até conseguir o respeito. Mas, lhe pergunto: o respeito do outro preenche a alma dele? Eu lhe garanto que não! A ilusão do vaidoso é acreditar que, incorporando um 'jeito de ser', ele conseguirá o que tanto busca no outro. Daí ele se sentirá maravilhoso. Tudo bobagem! O 'eu interior' não se realiza, somente o que vem de dentro da gente nos satisfaz, nos faz sentir plenos.
"Se eu me amo, estou preenchido." "Se me considero, me sinto preenchido." "Se me aceito, me sinto preenchido."

O do outro não preenche, gente! Pode até ser legal, num primeiro momento, mas a realização depende de si mesmo. Como aquela garota que arruma um namorado para não se sentir sozinha e, de repente, ela se pega numa solidão com o parceiro do lado. Ou como o filho que optou pela advocacia com a intenção de ganhar a aprovação do pai, mas não tem nada a ver com ele.
Gente, o que é nosso é o verdadeiro. O dos outros não é importante. A vaidade aniquila, pois ela não passa de uma ilusão. Você se mata por aquilo e mesmo assim vive infeliz, pois aquilo não o preenche. Volto a dizer: vaidade não é defeito, é ilusão. A gente herda tudo isso dos pais, da sociedade. Quando você conseguir se libertar dessa herança, vai poder viver toda a sua autenticidade e entrar em contato com a sua alma, numa vida cheia de beleza e harmonia.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bateu um certo desespero? Calma!

É impressionante como um grande número de pessoas se encontra na seguinte situação: em desespero. É o seu caso? Você está aflita? Se sente vulnerável? Provavelmente você está insegura porque tinha ilusões de enxergar a felicidade de um jeito que não deu certo. Quando percebeu que estava perdendo o controle da situação, começou a ficar desesperada. Os motivos são o mais diversos possível. Não conseguir cumprir aquilo que tanto desejou, não dar conta do recado de realizar os planos no amor, na carreira e na vida em geral. Você pode até chorar, desabafar um pouco e aliviar as tensões, mas o que deve fazer é nada mais, nada menos, do que confrontar a sua atual realidade. E, para tanto, você precisa de CALMA.

Pois é, leitora, não é com a cabeça cheia de ideias malucas que você conseguirá recuperar o controle. O primeiro passo, portanto, é respirar fundo e se soltar. Vamos lá, cabeça fresca! E, depois, você não vai se permitir ficar sofrendo à exaustão, não é mesmo? Você se gosta, lembra-se? Diga para si mesma: "Que se dane tudo! Não vou sofrer, porque sou uma pessoa inteligente. Vou encontrar uma solução, sem opressão ou confusão". Vamos lá, repita essa frase e não deixe as emoções dominarem sua mente.

Você está cansada, né? Geralmente, quando a gente entra em desespero, é porque as coisas já vêm nos atormentando há um bom tempo. Então, largue um pouco esse monte de problemas e se espreguice! Espreguice seus ombros, as pernas e os braços como se estivesse se livrando de todo esse tormento. Recuse-se a sofrer. Solte-se desse drama. Agora se sente melhor? Eu sei que você ainda não resolveu aquela situação. Aliás, você já reparou que tem sempre aquela voz interna dizendo: "Resolva, resolva, resolva... Tenho que fazer... Não posso ter feito o que fiz... Que horror... O que vai acontecer?" Enfim, essas formas de pensamentos (essas amebas!) insistem em dirigir nossas vidas. Então, dê um berro no interior da sua cabeça e ordene para que elas se calem. Seja dura e firme. Você não é obrigada a fazer nada que não queira, certo? E agora, melhorou? Ao menos um pouco, tenho certeza que sim. É, minha gente, quando adotamos pulsos fortes no nosso mundo interior, os desconfortos se amenizam.

E os outros? Como você dá importância a eles, não? Para quê? Não há ninguém que vá segurar sua barra, além de você mesma. Se você não gosta e não quer tal coisa, imponha-se, sem se preo­cupar ou ficar desesperada com o que os outros vão achar ou falar. E nada de se condenar também! Não sei por que a gente tem essa mania. Por não ser boa o suficiente? Por não se sentir maravilhosa? Por não ser aquela supermulher? Mas você não precisa ser magnífica, basta ser humana. Basta ser você. Tenha vergonha na cara e deixe de dar importância para essas bobagens que são as opiniões dos outros. Mande embora esse maravilhoso juiz que insiste em condená-la e reforce pra si mesma: "Eu sou o que sou. Fiz o que fiz. E, o que vier, eu banco e encaro". Experimente! Encare tudo com o espírito mais leve, sem drama e sem culpa, porque isso tudo só a assusta. Saia dessa, leitora, porque o susto que leva ao medo só nos faz pequenos e travados, sem saber por qual caminho seguir. Largue esse medo e enfrente a situação, seja ela qual for. De cabeça fria, você vai fazer o seu melhor. E, claro, vai dar a volta por cima."

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O sentido da verdade

Em nome da verdade, a raça humana cometeu seus piores crimes. Homens e mulheres foram queimados. A cultura de civilizações inteiras foi destruída. Os que procuravam um caminho diferente eram marginalizados.
Um deles, em nome da “verdade”, terminou crucificado. Mas - antes de morrer - deixou a grande definição da Verdade.
Não é o que nos dá certezas.
Não é o que nos dá profundidade.
Não é o que nos faz melhor que os outros.
Não é o que nos mantém na prisão dos preconceitos.
A verdade é o que nos dá a liberdade. “Conhecereis a Verdade, e a verdade vos libertará”, disse Jesus.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

De árvores e cidades

No deserto de Mojave, é frequente encontramos as famosas cidades-fantasmas: construídas perto de minas de ouro; eram abandonadas quando todo o produto da terra tinha sido extraído. Haviam cumprindo seu papel, e não tinha mais sentido continuar sendo habitadas.
Quando passeamos por uma floresta, também vemos árvores que - uma vez cumprido seu papel, terminaram caindo. Mas, diferente das cidades-fantasmas, o que aconteceu? Abriram espaço para que a luz penetrasse, fertilizaram o solo, e tem seus troncos cobertos de vegetação nova.
As nossa velhice vai depender da maneira que vivemos. Podemos terminar como uma cidade - fantasma. Ou então como uma generosa árvore, que continua a ser importante, mesmo depois de caída por terra.